Apoio à Marcha de Mulheres Indígenas

No Dia Internacional dos Povos Indígenas, 9 de Agosto, a Extinction Rebellion Portugal saiu à rua para apoiar a 1ª Marcha de Mulheres Indígenas em Brasília.

Em frente ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, um die-in recordou o (muito!) sangue indígena derrubado em nome do lucro e do extractivismo, exigindo o fim da chacina indígena, da desflorestação e da perda de biodiversidade, na Amazónia e em todo o lado.

A crise ecológica e climática é global, é um crime contra a Humanidade. Não vamos parar, não nos vamos calar!

PAREM DE MATAR A NOSSA MÃE!

Dia após dia, hectare atrás de hectare, vida sobre vida, violam, abusam, sangram, destroem a Terra.

Hoje, Dia Internacional dos Povos Indígenas, dia em que foi convocada a 1ª Marcha de Mulheres Indígenas em Brasília, damos as mãos para que o nosso apoio, a nossa solidariedade, atravessem o Oceano neste luto internacional pela chacina indígena, pela perda de biodiversidade, pela desflorestação e pela dessacralização dos territórios indígenas.

Trazemos os nossos corpos para mostrar que cada corpo indígena toldado é uma semente da Revolta, para mostrar que a sua luta como última linha de defesa humana das terras, águas e biodiversidade da Terra vive agora em nós.

Unimo-nos para não deixar esquecer o sangue derramando pela Humanidade e Planeta.

Falamos para exigir que o Governo Português, de um país colonizador, não se omita de responsabilidades políticas e históricas e condene os crimes no Brasil de Bolsonaro, mas não só, também na Colômbia, na Nova Zelândia, no México, nas Honduras, na Guatemala, na Austrália, nas Filipinas, nos EUA, no Canadá, e por esse mundo fora, pois está é uma economia global e sabemos das negociatas feitas em nome do povo português.

Não queremos as terras entregues a empresas de exploração, as minas a garimpos ou a morte como lei. Não toleramos mais derrames de combustíveis fósseis e toda a contaminação química nos corpos e nos solos. Não queremos expulsões, roubos, assassinatos, violações, medo.

Queremos as mulheres indígenas, livres, vivas e seguras, a tomar as rédeas das terras protegidas e sagradas, que são suas por direito, e que devem ser governadas comunalmente como todos os povos indígenas o fazem. Queremos a floresta viva. Queremos a Terra viva. Quem destrói a Floresta destrói a sua própria alma e condena a todas e todos, os vivos e os por vir, à extinção.

É nosso dever estar aqui, em frente ao Consulado do Brasil e denunciar os crimes contra a Mãe-Terra, evocar os mais de 200 líderes indígenas mortos no ano passado (nos primeiros meses deste ano cerca de 100 indígenas foram assassinados no Brasil apenas), os milhares de ativistas pelas causas ambientais e indígenas mortos nos últimos anos e unir forças para gritar:

> Chega de governos fascistas que nos conduzem à alienação!

> Basta de ganância capitalista!

> Chega de alimentar empresas e corporações que nos matam!

> Não mais toleraremos a desflorestação em silêncio!

> Chega de sobreexploração dos solos, das águas, dos seres humanos e da biodiversidade.

> Chega de matança de indígenas!

Sabemos que esta é uma luta política mas vamos mais além. Está já não é só uma luta política, é a Luta pela Vida, a Luta pelas nossas vidas.

Se a Amazónia morre a Humanidade morre, não nos podemos esquecer disto. Nós somos a Natureza que se defende! Nós somos o Corpo da Terra que se Rebela.

Chega de matar a Mãe-Terra!”


STOP KILLING OUR MOTHER!

Day by day, acre upon acre, life by life, they rape, abuse, bleed, destroy the Earth.

On this International Day of the World’s Indigenous People, when Brasilia holds the first Indigenous Women March, we hold hands so that our support and our solidarity, crosses the Ocean in this international grieving moment that we live when facing the slaughtering of indigenous people, the loss of biodiversity, deforestation, the desacralization of the indigenous territories.

We bring our bodies here to show that every fallen indigenous person is a seed of revolution, to show that their fight as the last human defence of the lands, water and Earth’s biodiversity now lives inside us.

We gather together to remember the bloodshed in the name of humanity.

We speak to demand that the Portuguese Government, from a colonizing country, does not omit political and historical responsibilities and condemn the crimes in Bolsonaro’s Brazil, but not only, also in Colombia, New Zealand, Mexico, Honduras, Guatemala, Australia, the Philippines, the USA, Canada, and around the world, because this is a global economy and we know about the businesses made on behalf of the Portuguese people.

We do not want the land delivered to companies that overexplore resources, mines to garimpos, or death as rule of law. We do not want evictions, theft, murder, rape, fear.

We want indigenous women, free, alive and safe, to lead the land that are rightfully theirs and should be managed in a communal way, as all indigenous peoples do. We will not tolerate oil spills or chemical contamination in both bodies and soils. We want a living forest. We want a living Earth. If we destroy the Forest we destroy our own soul and we condemn all the living people and the ones to come to extinction.

It is our duty to be here, in front of the Brazillian Consulate, to denounce the crimes against Mother Earth. We evoke the more than 200 indigenous leaders killed last year (around 100 indigenous people were assassinated in the first moths of this year in Brazil only) and the thousands of environmental and indigenous activists killed in the last several years, and gather our strength to shout:

> No more fascist governments!

> Enough of capitalist greed!

> No more feeding companies and profit driven entities that kill us!

> We won’t tolerate more deforestation in silence!

> No more soil, water,, human and biodiversity overexploitation!

> We’ve had it with the massacres of indigenous people!

We know that this a political fight, but we go beyond it. This is no longer a political fight, this is the fight for Life, this is the fight for our lives!

If the Amazon dies we die. Nobody can forget that. We are the body of the Earth who rebels, we are Nature defending it self!

Stop killing Mother Earth