ACTO 5: Partido Socialista – “Mais aviões, mais poluição e mortes certas”

Candidato do PS sobrevive a acidente e revela ambições na corrida à Europa

Esta madrugada, pelas 4h27, ocorreu um embate frontal entre um avião de papel das forças da Rebelião da Extinção e um símbolo do Partido Socialista, que repousava num cartaz de propaganda eleitoral em plena Praça de Espanha, Lisboa.

O incidente deixou o número um do PS às eleições Europeias visivelmente entusiasmado. “Mais aviões, mais poluição e mortes certas”, bramou Pedro Marques, em jeito de slogan.

O político não tem escondido quanto deseja mais aviões a voar sobre as cabeças da população de Lisboa e da Margem Sul, e sobre o estuário do Tejo. Era ainda há um par de meses ministro do planeamento e infra-estructuras, quando assinou com a multinacional Vinci um acordo catastrófico para a população, o meio ambiente e as gerações futuras.

Pretende-se não só aumentar o aeroporto da Portela, como construir um novo no Montijo, em plena reserva natural do Tejo. Isto permitiria quase duplicar a média de movimentos aéreos por hora na cidade – de 38 para 72. E abrir as portas de Lisboa a ainda mais milhões de turistas todos os anos.

A temperatura global está a subir e os fenómenos climáticos extremos a aumentar. Caminhamos para a sexta extinção em massa. Para os nossos filhos poderem viver neste planeta, temos de reduzir drasticamente as emissões nos próximos 10 anos. Pedro Marques e o governo, distraídos com os aviões, ter-se-ão esquecido de que assumiram o compromisso de Portugal ser neutro em carbono em 2050.

O aumento do tráfego aéreo é um dos grandes responsáveis pelo aumento de emissões. As emissões dos aviões têm o dobro do poder de efeito de estufa. Não há meio de transporte tão poluente. Um voo é responsável por 30 vezes mais emissões do que a mesma viagem em comboio de alta velocidade.

Um aeroporto no Montijo comprometeria a saúde e a qualidade de vida de 30 mil pessoas. O aumento na Portela afetaria centenas de milhares de habitantes, trabalhadores, estudantes e visitantes. A poluição atmosférica e sonora dos aeroportos é causa de AVCs, doenças cardiovasculares e respiratórias, cancros, perturbações no sono e cognitivas, num extenso raio em seu redor.

O estuário do Tejo é a maior zona húmida do país e das maiores da Europa. É um paraíso de biodiversidade e local de passagem, repouso e alimentação para centenas de milhares de aves migratórias. Desde a criação da Rede Natura 2000, nenhum aeroporto foi construído estuário europeu, e dois foram mesmo travados. A comunidade de pilotos aviadores tem inclusivamente denunciado o perigo objectivo de acidentes com aves e possível queda de aviões.

Um projeto como este exigiria uma vasta participação pública e uma Avaliação Ambiental Estratégica, como previsto pela legislação Europeia (diretiva 2011/92/UE, por exemplo) e Portuguesa (Decreto-Lei n.º 151-B/2013). Já para não dizer que seriam indispensáveis do ponto da saúde pública e espírito democrático.

O PS apresenta ao Parlamento Europeu um candidato que atropela as leis europeias, os compromissos que assumiu, a população e o meio ambiente, para prestar vassalagem aos seus amigos de negócios da Vinci.

Quanto a nós, queremos um estuário do Tejo repleto de vida e de biodiversidade. Uma cidade limpa e onde se pode viver bem e com saúde. O desenvolvimento e a redução do preço do transporte ferroviário. A redução do tráfego aéreo na Portela e a retirada do projeto do Montijo.

Queremos construir um futuro para todas e todos. Enquanto aqueles que dizem representar-nos continuarem a aposta suicida no aumento do transporte aéreo, novos acidentes como o desta madrugada são naturalmente expectáveis.

A Aterra – Stay Grounded é uma rede internacional em pleno crescimento que se opõe ao aumento do tráfego aéreo, propondo um sistema de transporte justo. stay-grounded.org

A Rebelião da Extinção (Extinction Rebellion) é um movimento social internacional, presente em mais de 300 cidades, que actua através de ações de desobediência civil não violentas, com o intuito de promover uma mobilização maciça para reverter a emergência climática e ecológica global. Foi convocada uma semana internacional de rebelião, de 15 a 21 de Abril. As e os seus ativistas reivindicam: que os governos digam a verdade acerca da crise ecológica; a urgente redução drástica das emissões de gases de efeito de estufa através de uma transição justa; uma democracia direta e participativa em todo o processo. Rebeldespelavida.climaximo.pt

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