ACTO 4: Activistas entram na H&M e celebram o casamento entre a poluição e fast-fashion

Comunicado da Acção: A Indústria da Moda Mata!

A indústria da moda é a segunda maior indústria poluente do mundo.

Ela assenta, sobretudo, na fast-fashion, o que origina uma exploração sem precedentes dos recursos naturais e a criação de empregos com condições de escravatura.

Nós, Rebelião de Extinção, invadimos o espaço da H&M no Chiado, hoje, dia 16 de abril, às 18h00 para protestar contra a indústria bilionária da moda, em particular a Fast Fashion, e seus impactos negativos para o ambiente e para a sociedade. Opomo-nos a uma indústria que é directamente responsável pela emergência climática e que utiliza cada vez mais o greenwashing, as falsas soluções verdes, para continuar a crescer sem qualquer restrição, com o total apoio de governos e instituições internacionais. Não importa qual a loja, ou grupo económico, toda a indústria em si é o problema.

A Fast Fashion é um modelo de negócio que consiste na produção, consumo e descarte de roupa rápidos, ou seja, roupa de pouca qualidade produzida e comprada a baixo preço que é rapidamente descartada para o lixo pelo consumidor, o qual logo de seguida compra uma nova peça, repetindo este ciclo de consumo continuamente ao longo sua vida.

Mas este tipo de consumo tem elevados preços, quer ambientais, quer humanos. Para avaliarmos o impacto do nível de poluição desta indústria temos de ter em consideração não apenas os poluentes mais óbvios – os pesticidas usados nas plantações dos materiais usados, as tintas tóxicas e a quantidade enorme de lixo produzido na produção da roupa – mas também a quantidade extravagante de recursos naturais utilizados na produção e transporte das mercadorias. A manufatura de uma camisola pode consumir até 2.700 litros de água, o suficiente para uma pessoa beber durante dois anos e meio. A produção de tecidos de poliéster em 2015 foi equivalente, a nível de poluição aérea, a 185 estações termoelétricas de carvão. O transporte por barcos é tão poluente como 50 milhões de carros. A lavagem da roupa leva milhares de fibras para as correntes aquáticas, que acabam nos rios e mares. Todos os anos, na União Europeia, 9.35 milhões de toneladas de resíduos têxteis são transportados para um aterro ou queimados, o que representa 18 kg por habitante.

Para poder produzir as roupas ao ritmo alarmante que são consumidas e logo descartadas, nesta sociedade de consumo suicida, há quase 21 milhões de pessoas vítimas de trabalho forçado – 11.4 milhões são mulheres e raparigas e 9.5. milhões são homens e rapazes.  E para quê? Para que um modelo económico assente no extractivismo, na exploração dos recursos naturais, na exploração animal e na destruição de comunidades humanas, possa continuar a acumular o capital e a gerar lucro para uma minoria de investidores e de grandes multinacionais, os quais são directamente responsáveis pela catástrofe ambiental que vivemos e pela pobreza de milhões de pessoas.

Temos 10 anos para mudar tudo, para travarmos a sexta extinção em massa, desta vez provocada pela humanidade. Exigimos que os governos digam a verdade sobre os crimes ambientais e humanos cometidos pelas grandes multinacionais da indústria da moda e que priorizem a justiça climática, os direitos humanos e uma transição justa nos seus programas políticos. Para mudarmos tudo, temos de garantir que há um corte radical de 50% nas emissões poluentes nos próximos anos e a proibição da extração de mais recursos fósseis, bem como uma alteração drástica nas práticas de produção e de consumo. Este modelo económico é inviável e irracional e tem de ser abolido já! O lucro de uns poucos não pode determinar o destino trágico nem da terra, nem de todas as formas de vida que nela existem. Reclamamos a democracia participativa e o envolvimento directo de nós cidadãos nas decisões políticas e económicas que promovam a mudança radical, sendo da nossa competência avaliar se estas medidas estão a ser devidamente aplicadas. É nosso dever salvaguardar a sobrevivência das gerações futuras e, na ausência de governos confiáveis e verdadeiramente democráticos, rebelar-nos, é portanto, uma obrigação!

É altura de mudança. É altura de REBELIÃO!

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