ACTO 2: Activistas denunciam cimeira que une empresas petrolíferas e o governo português

COMUNICADO DA ACÇÃO: Trouxemos a Rebelião às portas do evento “European Climate Summit”, pois esta é a casa de mais uma operação de greenwashing.

[English below.]

Não podemos ficar indiferentes a um evento que apresenta o “Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050”, com a sua meta temporal irrealista, como solução para a ruína climática que se avizinha e que, sem surpreender, é organizado por uma entidade que mercantiliza as emissões dos gases poluentes responsáveis pela destruição dos ecossistemas, a IETA (tendo como membros entidades como a BP, Chevron, Iberdrola, PetroChina e Total, entre outras). Como não podia deixar de ser, o palco vai ser dado à Shell, uma das mais famosas extractoras de combustíveis fósseis, e ao HSBC, um dos bancos que insiste em financiar projetos de extracção, entre outros.

O Governo Português tem relevado inércia face à ameaça existencial em curso. Prova disso é que o Ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Matos Fernandes, que deveria encabeçar o combate à destruição da Terra, opta por marcar presença neste evento. Em nítido aproveitamento político, legitima a mentira que os poderosos pretendem perpetuar ao mascararem as intenções de continuarem a acumular lucros com o subterfúgio de um suposto selo verde. A sua presença neste evento não nos surpreende, vinda de um Ministro que ignora o relatório divulgado pelo IPCC que nos dá menos de 12 anos para fazer mudanças estruturais de forma a evitar o Caos Climático e contenta-se com um legado governativo marcado pela escassez, superficialidade, incoerência e dilação de medidas que possam fazer frente a este.

Exigimos que o Ministro encare a situação presente e que priorize o seu mandato de acordo com seriedade, visão clara e independente de interesses económicos, que é aquilo o que o momento crucial nos exige, ao invés de abrir portas para que possam ser extraídos combustíveis fósseis em Portugal. Exigimos que use a sua voz dentro do Governo, nomeadamente dirigindo-se ao responsável maior político, o Primeiro Ministro, António Costa, para encontrarem soluções que evitem o colapso que ameaça o Planeta. Não aceitamos a inércia e irresponsabilidade que demonstram face à realidade inegável das Alterações Climáticas e repudiamos as escolhas políticas que os têm levado a actuar, ignorando a verdadeira dimensão da Emergência enfrentada.

Viemos lembrá-lo do sangue que será derramado por milhares e milhares de pessoas, cidadãos nacionais e estrangeiros, bem como de todos os seres vivos, nascidos e por nascer, vítimas de um sistema que nos está a encaminhar para a Extinção. Não aceitamos mais políticas indigentes do Estado Português a troco do saque, ataque e exploração à Natureza e às nossas vidas, bem como à vida das gerações futuras, porque somos uma só. Nós somos a Natureza que se defende, nós somos o corpo da Terra que se rebela! Então oiça Senhor Ministro: estamos todas e todos a ver, o Mundo e o Futuro estão a olhar para si, use a sua consciência e que o seu legado político não seja o de ser um dos nossos carrascos.

Diga a Verdade.

A Rebelião de Extinção (Extinction Rebellion) é um movimento social internacional, presente em mais de 300 cidades por todo o mundo, que actua através de acções de desobediência civil não violentas, com o intuito de promover uma mobilização massiva para a reversão da emergência climática e ecológica global. Foi convocada uma semana internacional de rebelião, de 15 a 21 de Abril. As e os activistas reivindicam: que os governos digam a verdade acerca da crise ecológica; a urgente redução drástica das emissões de gases de efeito de estufa através de uma transição justa; uma democracia directa e participativa.

PS: Ao mesmo tempo, algumas activistas entraram na cimeira e interromperam o discurso do Ministro do Ambiente e da Transição Energética.

***

We are bringing the Rebellion to the doorsteps of the “European Climate Summit” because, today, it is the home of another greenwashing operation.

We cannot stand indifferent to an event that promotes the unrealistic deadline of the “Script for Carbon Neutrality by 2050” as the solution for the nearing Climate Emergency which is dubiously –although not surprising– organised by the IETA, an entity which counts BP, Chevron, Iberdrola, PetroChina and Total amongst its members, and regards pollutive gas emissions responsible for the destruction of our planet’s ecosystem as commodities and means of profit. As usual, today’s event is giving the stage to Shell, one of the most widely-known fossil fuel extractors, and to HSBC, a bank that insists on funding extraction projects, among other extracting and funding organisations.

The Portuguese Government has shown striking inertia when facing the existential threat ahead of us. An attitude reinforced by the presence today of the portuguese Minister for the Environment and Energy Transition, João Matos Fernandes, when he should be the first to advocate the fight against the destruction of the Earth.

This strategy, clearly driven by political interests, legitimises the lie that those in power want to perpetuate, as they mask their intentions to continue to accumulate profits under the subterfuge of a supposed green seal. The Minister’s presence does not surprise us, since the Portuguese Government has repeatedly ignored the IPCC report, which grants us less than 12 years to make all the structural changes needed to avoid Climate Chaos. Thereby, our leaders seem to accept their political legacy as one of scarcity, superficiality and incoherence in regards to this issue.

We demand that the Minister and the Government face up to the present situation, and that – instead of opening doors that enable the extraction of fossil fuels in Portugal – they prioritise their program with the needed severity, discernment and insight that goes past economical interests, such as this crucial moment requires from us. We demand that the Minister uses his voice inside of the portuguese Government, and addresses its major political leader, António Costa, in order to implement solutions that avoid the collapse that threatens our Planet. We do not accept the inertia and lack of responsibility shown when facing the undeniable reality of Climate Catastrophe, and we reject the political choices that have been leading our Government to ignore the real dimension of the existential threat upon us.

We are here to remind our political leaders of the blood that will be spilled by thousands and thousands of people, national and foreign citizens, as well as all the other living beings, born and yet to be born, victims of a System that is leading us to Extinction. We do not accept further indigent policies chosen by the Portuguese State in exchange for the theft, attack and exploitation of Nature, our lives, and the lives of future generations. Because we are one. We are Nature defending itself. We are the body of the Earth who rebels. Mr Minister, know that we are watching, the World and the Future are looking at you. Use your conscience, and make sure your political legacy will not define you as one of our public executioners.

Tell the Truth.

3 thoughts on “ACTO 2: Activistas denunciam cimeira que une empresas petrolíferas e o governo português

Leave a Reply

Your e-mail address will not be published. Required fields are marked *